Quem é o novo Director Geral da ARA-Centro, IP?

Com mais de 18 anos dedicados ao sector de recursos hídricos, Hilário Morais Pereira assume a liderança da ARA-Centro, IP num momento decisivo para a região. Natural da província de Manica e formado em Recursos Hídricos e Geohidrologia pela Universidade Eduardo Mondlane, Pereira carrega um percurso marcado por negociações internacionais complexas na área de recursos hídricos compartilhados, assim como, na concepção de projectos ligados a geohidrologia (águas subterrâneas).
Não se trata, portanto, de um nome novo no sector — mas de alguém que conhece os seus bastidores, fragilidades, desafios e potencial de crescimento.
“Sinto que sou parte desta história, porque há quase duas décadas trabalho para que o país avance em matéria de desenvolvimento e gestão sustentável dos recursos hídricos para o benefício das comunidades”, afirma.
Um percurso moldado pela gestão transfronteiriça dos recursos hídricos
Antes da nomeação, Hilário Pereira desempenhou funções cruciais na Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), onde liderou tanto o Departamento de Rios Internacionais quanto a Repartição de Geohidrologia. A sua carreira é marcada por negociações que definem o futuro da água partilhada entre Moçambique e países vizinhos — acordos que asseguram disponibilidade hídrica em quantidade e qualidade aceitáveis para o abastecimento de água para vários fins, consumo humano, agricultura, indústria e para a manutenção dos ecossistemas.
Entre os marcos que destaca estão a participação activa na negociação e revisão de acordos fundamentais, como o Acordo do Búzi, o Acordo do Save, a Emenda da LIMCOM (Comissão da Bacia do Rio Limpopo), a criação da Comissão das Bacias do Búzi, Púnguè e Save (BUPUSACOM), o estabelecimento da Comissão das Bacias do Incomáti e Maputo (INMACOM) e o processo da Revisão do Acordo do Umbelúzi.
“Os processos de cooperação internacional exigem persistência, clareza técnica e, acima de tudo, compromisso com o futuro hídrico do país”, explica.
Outro momento marcante foi a gestão conjunta da seca na bacia do Umbelúzi, que garantiu água para a Grande Maputo graças ao reforço da cooperação técnica com o Reino de Eswatini.
“Foi um período exigente, em que tivemos de assegurar que cada gota fosse gerida com responsabilidade e transparência”, recorda.
Na área de águas subterrâneas, liderou a mobilização de financiamentos e a criação de projectos estruturantes para a revitalização desta área — como a actualização da Carta Hidrogeológica Nacional de 1986 e Construção de Furos Piezométricos para a Modernização e Melhoria do Monitoramento das Águas Subterrâneas ao nível do país; o Plano Nacional de Desenvolvimento de Recursos Hídricos Subterrâneas (PNDRHS) e outros estudos específicos com destaque para o estudo para a Avaliação da Disponibilidade de Águas Subterrâneas para a Construção do Sistema de Abastecimento de Água do Posto Administrativo de Machangulo, Distrito de Matutuine e, o Estudo Detalhado para Avaliação da Vulnerabilidade e Análise Hidrogeoquímica do Sistema Aquífero de Xai-Xai, Província de Gaza.
“A geohidrologia estava silenciosa quando lá cheguei; senti que precisava dar-lhe voz e impacto”, sublinha.
Uma visão de futuro para a ARA-Centro, IP
Ao assumir o cargo de Director Geral, Pereira vê uma oportunidade estratégica e uma responsabilidade nacional.
“Este é um momento ímpar. O meu compromisso é assegurar que os recursos hídricos da região centro sejam geridos de forma participativa, integrada e sustentável, garantindo o equilíbrio ambiental e o desenvolvimento económico.”
Entre as prioridades imediatas, destaca:
- A execução rigorosa do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (2025) e do Programa Quinquenal do Governo 2025–2029;
- O reforço do monitoramento da qualidade da água nas principais bacias da região;
- Campanhas massivas de cadastro e licenciamento de utentes de água bruta, um passo crucial para a gestão integrada e a sustentabilidade dos recursos.
Quando questionado sobre o papel da ARA-Centro, IP perante os desafios climáticos, é assertivo:
“Temos a responsabilidade de construir e reabilitar as infraestruturas hidráulicas que vão garantir segurança hídrica e resiliência climática. A região centro precisa de mais capacidade de armazenamento, mais previsão e mais protecção contra cheias e secas.”
As projecções incluem a construção de represas nas províncias da Zambézia, Manica e Tete já a partir de 2026–2027.

Liderança que inspira e equipa que constrói
Hilário descreve o seu estilo de liderança como transformacional, focado na motivação, no crescimento e na participação activa das equipas.
“Quero uma ARA-Centro que decide junto, que pensa em conjunto e que trabalha focada em resultados concretos. A liderança deve criar confiança, espaço para aprender e coragem para inovar.”
Aos colaboradores da instituição, a mensagem é clara:
“Reforcemos o trabalho em equipa e o compromisso com os prazos. Só assim avançaremos com a força e eficiência que a região exige de nós.”





