Nos dias 18 e 19 de Agosto, instituições públicas, parceiros, academia, sector privado e representantes comunitários reuniram-se em Gorongosa e Chimoio para reforçar estratégias de mitigação dos impactos da mineração de ouro nas Bacias do Púnguè e do Búzi. As iniciativas apostam numa resposta integrada baseada em monitoria, fiscalização, gestão de águas residuais, recuperação ambiental e alternativas sustentáveis para as comunidades.
Gorongosa/Chimoio — A protecção da qualidade da água perante os impactos das actividades de mineração exige coordenação entre instituições, conhecimento técnico, monitoria contínua e participação das comunidades. Foi com este enfoque que, nos dias 18 e 19 de Agosto de 2026, diferentes actores se reuniram em Gorongosa, Província de Sofala, e Chimoio, Província de Manica, para discutir e avançar com estratégias de mitigação dos impactos da mineração de ouro nas Bacias do Púnguè e do Búzi.


As duas iniciativas, embora decorram em contextos e processos institucionais distintos, reflectem uma preocupação comum: proteger os recursos hídricos e os ecossistemas, reduzindo os impactos associados às actividades mineiras e fortalecendo a capacidade de resposta das instituições e comunidades.
A ARA-Centro, IP, enquanto entidade responsável pela gestão dos recursos hídricos na região Centro do país, participou activamente nos dois processos, contribuindo para a articulação entre os diferentes intervenientes e para a definição de respostas que tenham em conta tanto os aspectos ambientais como as necessidades das populações.
Na Bacia do Púnguè, instituições reforçam mecanismos de fiscalização e monitoria
No dia 18 de Agosto, representantes de instituições públicas, parceiros, sector privado, academia e outros actores reuniram-se no Parque Nacional da Gorongosa, na Vila de Gorongosa, para discutir os impactos da mineração de ouro na qualidade da água da Bacia do Púnguè.
O encontro contou com a participação da ARA-Centro, IP, Blue Deal, Governo de Gorongosa, Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), Parque Nacional da Gorongosa, AQUA, serviços provinciais e distritais, empresas mineiras, Água e Saneamento de Sofala, Universidade Zambeze, entre outras entidades.



A reunião teve como objectivo apresentar o programa Blue Deal, reforçar a articulação institucional e avançar na estruturação de mecanismos de fiscalização e monitoria da bacia.
Entre os principais encaminhamentos esteve a estruturação de um grupo de fiscalização e o estabelecimento de uma agenda regular de monitoria, bem como a elaboração de um plano estratégico integrado para a mitigação dos impactos da mineração.
Foi igualmente proposta a promoção de associações e cooperativas mineiras organizadas e a criação de alternativas de rendimento para as comunidades, nomeadamente através da agricultura e criação de animais.
Estas medidas procuram contribuir para uma abordagem que não se limite ao controlo das actividades mineiras, mas que também considere as condições socioeconómicas das comunidades e a necessidade de promover práticas mais sustentáveis.
Do debate ao terreno
Como parte da actividade, os participantes realizaram uma visita técnica ao Rio Púnguè, no interior do Parque Nacional da Gorongosa.
A visita permitiu observar as condições do leito do rio, acompanhar os impactos associados às actividades mineiras e verificar sinais de recuperação ecológica no interior do Parque.
A observação no terreno reforçou a importância da monitoria regular dos recursos hídricos como instrumento para identificar áreas de maior pressão, acompanhar alterações e apoiar decisões destinadas à protecção dos rios e dos ecossistemas.



Na Bacia do Búzi, estratégias de mitigação avançam na sub-bacia do Révue
No dia seguinte, 19 de Agosto, a discussão prosseguiu na Cidade de Chimoio, onde a ARA-Centro, IP, através da Divisão de Gestão da Bacia do Búzi, participou na quarta reunião de coordenação e acompanhamento da Comissão Multissectorial para a Gestão, Fiscalização e Reabilitação Mineira da Província de Manica.
O encontro enquadra-se no desenvolvimento de estratégias de mitigação dos impactos da mineração de ouro na sub-bacia do Révue, tendo como objectivos avaliar o progresso das actividades da Comissão Multissectorial e definir os próximos passos do processo.
Participaram representantes da ARA-Centro, IP, DNGRH, Blue Deal, Serviço Provincial do Ambiente de Manica, AQUA-Manica, IGREME-Manica, Procuradoria Provincial de Manica, SDAE-Manica, instituições académicas e líderes comunitários, entre outros intervenientes.



Durante a reunião, foi apresentado o progresso da força-tarefa para o combate aos impactos da mineração do ouro, referente ao período de Agosto de 2025 a Agosto de 2026.
Um dos principais destaques foi a apresentação do Mecanismo Sustentável de Gestão de Águas Residuais Resultantes da Mineração do Ouro, orientado para a procura de soluções que permitam reduzir os impactos das águas residuais das actividades mineiras sobre os recursos hídricos.
Os participantes analisaram igualmente o Plano de Acção do projecto de mitigação dos impactos da mineração do ouro na Bacia do Búzi, permitindo alinhar os próximos passos e reforçar a coordenação entre as instituições envolvidas.
Um desafio comum: proteger a água sem deixar as comunidades para trás
Embora as actividades tenham decorrido em bacias diferentes, existe uma preocupação transversal: como reduzir os impactos ambientais da mineração sem ignorar as realidades económicas e sociais das comunidades que vivem nos territórios onde estas actividades ocorrem.
A resposta passa por combinar fiscalização e monitoria com sensibilização, organização dos operadores, recuperação das áreas afectadas e promoção de alternativas de rendimento.
Para as comunidades, a qualidade da água está directamente relacionada com a vida quotidiana, as actividades produtivas e o equilíbrio dos ecossistemas. A protecção dos rios significa, por isso, proteger um recurso fundamental para o desenvolvimento local.
Neste sentido, o envolvimento das comunidades e dos Governos locais constitui uma componente importante dos processos em curso, permitindo aproximar as decisões institucionais das realidades existentes no terreno.
O papel da ARA-Centro, IP
A participação da ARA-Centro, IP nas duas iniciativas enquadra-se na sua responsabilidade de contribuir para a gestão integrada e sustentável dos recursos hídricos nas bacias sob sua jurisdição.
A instituição procura, através da monitoria, produção e partilha de informação técnica e articulação com diferentes parceiros, contribuir para a identificação dos riscos que podem afectar os recursos hídricos e para a definição de respostas adequadas.
A abordagem adoptada demonstra igualmente que a gestão da água não se limita à observação dos rios. Envolve a compreensão das actividades que acontecem nas bacias, a identificação das suas pressões sobre os recursos hídricos e a construção de soluções com os diferentes actores.
A articulação com instituições de ambiente, mineração, fiscalização, autoridades locais, academia, parceiros de desenvolvimento, sector privado e comunidades permite reforçar uma resposta multissectorial aos desafios da qualidade da água.
Da monitoria à construção de soluções
As iniciativas realizadas em Gorongosa e Chimoio representam passos importantes em processos que exigem continuidade.
Na Bacia do Púnguè, o reforço da fiscalização e da monitoria, aliado à procura de alternativas para as comunidades, deverá contribuir para reduzir as pressões sobre os recursos hídricos.
Na Bacia do Búzi, a existência de uma força-tarefa, a discussão de um mecanismo sustentável para gestão das águas residuais e o desenvolvimento de um plano de acção constituem elementos para fortalecer a resposta aos impactos da mineração na sub-bacia do Revue.
Mais do que duas reuniões, as iniciativas demonstram a importância de aproximar instituições, conhecimento e comunidades na procura de soluções para proteger a água.
Para a ARA-Centro, IP, este é um compromisso que ultrapassa a intervenção pontual: significa trabalhar para que os recursos hídricos das Bacias do Púnguè e do Búzi continuem a desempenhar o seu papel na vida das pessoas, na economia e na sustentabilidade dos ecossistemas.
Do Púnguè ao Búzi, proteger os rios é construir respostas juntos.







