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Bacia do Púnguè reforça estratégias de resiliência climática e gestão participativa dos recursos hídricos

A gestão sustentável da água, a resposta aos impactos das cheias e o fortalecimento do planeamento ambiental estiveram no centro das discussões do 3º Comité da Bacia Hidrográfica do Púnguè, realizado no dia 11 de Maio, em Camfumpe, Província de Manica.

O encontro reuniu representantes de diferentes sectores e níveis de governação, ligados à gestão de recursos hídricos e à redução do risco de desastres, num momento marcado pelos impactos da época chuvosa e ciclónica de 2025/2026 na região centro do país.

Administradores distritais, técnicos do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM, IP) – Delegação de Sofala, Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), Serviços Distritais de Planeamento e Infraestruturas (SDPI), Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE), parceiros de cooperação, instituições privadas, organizações comunitárias e líderes locais participaram na sessão.

       

Ao longo dos trabalhos, a Divisão de Gestão da Bacia do Púnguè (DGBP) apresentou uma análise detalhada da época chuvosa na bacia hidrográfica do rio Púnguè, destacando o aumento da vulnerabilidade das comunidades diante de fenómenos extremos, incluindo inundações, erosão de solos, danos às infraestruturas e perdas agrícolas.

A bacia do Púnguè constitui uma das principais bacias hidrográficas partilhadas entre Moçambique e Zimbabwe. Em território nacional, ocupa cerca de 29.690 km², abrangendo os distritos de Manica, Vanduzi, Bárue, Macossa e Gondola, na província de Manica, bem como Dondo, Beira, Nhamatanda, Muanza e Gorongosa, na província de Sofala.

O INAM, IP apresentou igualmente o balanço climático da época chuvosa e ciclónica 2025/2026, caracterizada por precipitações acima da média em alguns períodos e ocorrência de eventos extremos que condicionaram o comportamento dos rios e aumentaram o risco de cheias.

Na mesma sessão, o INGD actualizou os membros do comité sobre o ponto de situação das cheias na província de Sofala, sobretudo os efeitos da última vaga de inundações que afectou comunidades, vias de acesso, infraestruturas públicas e áreas produtivas.

Os relatórios apresentados pelos SDPI e SDAE dos distritos abrangidos permitiram consolidar informação sobre perdas registadas em diferentes sectores, incluindo habitações, escolas, sistemas agrícolas, infraestruturas rodoviárias e outras actividades económicas dependentes da disponibilidade e estabilidade dos recursos hídricos.

                                               

                                               

A qualidade da água na bacia do Púnguè foi igualmente analisada pela ARA-Centro, IP, que destacou a importância da monitoria contínua dos recursos hídricos, sobretudo em contextos de maior pressão ambiental e ocorrência frequente de eventos extremos.

Durante a abertura da sessão, o Director-Geral da ARA-Centro, IP, Hilário Pereira, destacou que os impactos registados durante a época chuvosa demonstram a necessidade de fortalecer abordagens integradas e preventivas na gestão da bacia.

A recente época chuvosa voltou a evidenciar a vulnerabilidade das nossas comunidades, infraestruturas e sistemas produtivos, reforçando a necessidade de uma abordagem mais integrada, preventiva e resiliente na gestão dos recursos hídricos”, afirmou.

Segundo o dirigente, o contexto actual reforça a importância da Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) como instrumento de apoio à tomada de decisão e ao planeamento sustentável.

Com apoio do Programa MozWateR, representado pelo Chief of Party Agostinho Bento, a sessão aprofundou os conceitos da AAE e a sua aplicação em Moçambique, incluindo boas práticas e lições aprendidas. A facilitação esteve a cargo do especialista holandês Ben Lamoree.

Os participantes tiveram ainda a oportunidade de conhecer estudos de caso de países africanos, do Vale do Zambeze e da província de Manica, apresentados por Salvo Tchamo, do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas.

           

Outro aspecto amplamente debatido foi a necessidade de reforçar a inclusão social e a participação efectiva de mulheres, jovens e grupos vulneráveis nos processos de tomada de decisão ligados à gestão da bacia, reconhecendo que a governação participativa fortalece a sustentabilidade e a resiliência das comunidades.

Os Comités de Bacia constituem mecanismos fundamentais de consulta, concertação e coordenação promovidos pela ARA-Centro, IP, contribuindo para melhorar o planeamento, monitoria e resposta a desafios relacionados com cheias, secas, poluição e distribuição da água para abastecimento humano, agricultura, indústria e outros sectores estratégicos do desenvolvimento socioeconómico.