ARA-CentroIP-logo-TR

Comité da Bacia do Búzi reforça coordenação multissectorial para gestão resiliente dos recursos hídricos

A Vila de Muxúnguè, no distrito de Chibabava, acolheu no dia 08 de Maio, a realização do 3º Comité da Bacia do Búzi, um encontro multissectorial promovido pela ARA-Centro, IP, através da Divisão de Gestão da Bacia do Búzi (DGBB), com o objectivo de reforçar a coordenação entre diferentes intervenientes na gestão sustentável dos recursos hídricos da bacia.

                                                   

O encontro reuniu administradores distritais dos territórios abrangidos pela Bacia do Búzi, representantes dos Institutos Nacionais de Meteorologia (INAM), de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), Serviços Distritais de Planeamento e Infraestruturas (SDPI), Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE), instituições privadas, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil, líderes comunitários, associações locais e outros actores relevantes ligados à gestão de recursos naturais e redução do risco de desastres.

       

                                                                                       

Na ocasião, a DGBB apresentou o Balanço da Época Chuvosa 2025/2026, destacando os principais impactos registados ao longo da bacia, marcados por episódios de chuvas intensas, cheias localizadas, destruição de infraestruturas, degradação de vias de acesso, afectação de áreas agrícolas e vulnerabilidade crescente das comunidades.

De acordo com o Director-Geral da ARA-Centro, IP, Hilário Pereira, os desafios registados durante a época chuvosa demonstram a necessidade urgente de fortalecer abordagens integradas e preventivas na gestão dos recursos hídricos.

Os impactos observados nesta época chuvosa mostram que precisamos continuar a investir em soluções resilientes, sustentáveis e coordenadas, capazes de proteger as comunidades, as infraestruturas e os sistemas produtivos da nossa bacia”, afirmou.

Entre as medidas debatidas pelos participantes, mereceu destaque a necessidade de construção e reforço de diques de protecção contra cheias, melhoria dos sistemas de monitoria hidrometeorológica e fortalecimento dos mecanismos de alerta precoce e preparação comunitária.

   

                                                                                   

A sessão contou igualmente com o apoio do Programa MozWateR, que se fez representar pelo Chief of Part do projecto Agostinho Bento, e introduziu uma reflexão aprofundada sobre a Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), apresentada como uma ferramenta essencial para apoiar o planeamento sustentável da bacia a curto, médio e longo prazo.

A facilitação da sessão esteve a cargo do especialista holandês Ben Lamoree, que abordou os fundamentos e a aplicação da AAE no contexto da gestão integrada de recursos hídricos. Foram igualmente apresentados estudos de caso de países africanos, do Vale do Zambeze e da província de Manica, pelo técnico Salvo Tchamo, do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas.

         

Os debates abordaram ainda a importância de reforçar a participação pública nos processos de gestão da bacia, com especial enfoque na inclusão de mulheres, jovens e grupos socialmente vulneráveis nos espaços de decisão e governação dos recursos hídricos.

Segundo Hilário Pereira, estas discussões reforçam o compromisso da ARA-Centro, IP com uma governação participativa, inclusiva e baseada no conhecimento técnico e científico.

Os Comités de Bacia constituem importantes fóruns de consulta, coordenação e concertação entre o Governo, comunidades e diferentes actores locais, permitindo aprimorar o planeamento e monitoria dos desafios relacionados com cheias, secas, poluição, conservação ambiental e alocação de água para abastecimento humano, agricultura, indústria e outros usos estratégicos para o desenvolvimento sustentável da região.