A Administração Regional de Águas do Centro, IP participou, de 14 a 15 de Maio, na Província de Maputo, da Reunião Nacional de Avaliação da Época Chuvosa e Ciclónica 2025/2026, um encontro técnico que reuniu instituições do sector de gestão dos recursos hídricos, gestão e redução do risco de desastres, meteorologia e outras entidades intervenientes na resposta a eventos extremos.

O encontro teve como objectivo analisar e sistematizar os principais aspectos que marcaram a época chuvosa e ciclónica 2025/2026, bem como orientar a elaboração dos relatórios de balanço e definir recomendações para o fortalecimento das acções de prevenção, mitigação e resposta antecipada para as próximas épocas chuvosas.

A reunião decorreu num contexto em que Moçambique continua a enfrentar impactos cada vez mais severos associados às mudanças climáticas, caracterizados pelo aumento da frequência e intensidade de chuvas extremas, cheias e ciclones tropicais.
Durante as sessões de trabalho, as Administrações Regionais de Águas, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), gestores de albufeiras e outras entidades técnicas apresentaram informações relacionadas com o comportamento hidrológico das principais bacias hidrográficas, ocorrência de cheias, gestão de barragens, monitoria meteorológica e impactos registados ao longo da época.
A zona centro do país esteve entre as mais afectadas pelos eventos extremos associados às chuvas intensas e ciclones tropicais. As províncias de Sofala, Zambézia, Manica e Tete registaram inundações em diferentes bacias hidrográficas, destruição de infraestruturas, interrupção de vias de acesso, danos em áreas agrícolas e deslocamento de famílias.
Dados tornados públicos por diferentes instituições indicam que a presente época chuvosa provocou dezenas de mortes e afectou milhares de pessoas em várias regiões do país, com especial incidência no centro de Moçambique. Informações divulgadas pelo sector agrário apontam ainda que mais de 92 mil hectares de produção agrícola foram inundados, sendo Sofala uma das províncias mais afectadas, com cerca de 54 mil hectares impactados.


Foram igualmente debatidos aspectos ligados:
- ao comportamento hidrológico das bacias hidrográficas;
- à comparação entre as cheias registadas nesta época e eventos históricos de maior magnitude;
- à medição de caudais durante o período chuvoso;
- aos constrangimentos enfrentados pelas equipas técnicas;
- à necessidade de expansão do Sistema de Aviso de Cheias para bacias consideradas actualmente vulneráveis.
Outro ponto de destaque foi a apresentação de propostas para o fortalecimento dos Planos de Gestão de Albufeiras, incluindo componentes relacionadas com:
- segurança de barragens;
- regras operacionais de enchimento e descarga;
- sistemas de aviso prévio;
- gestão de emergências;
- monitoria hidrológica e meteorológica;
- protecção ambiental;
- comunicação e sensibilização comunitária.
Os participantes defenderam a necessidade de reforçar a coordenação interinstitucional, investir em sistemas modernos de monitoria e ampliar o envolvimento comunitário na gestão do risco de desastres, tendo em conta os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelo crescimento da ocupação humana em zonas propensas a cheias.
A reunião constituiu igualmente um espaço de reflexão técnica e partilha de experiências entre os diferentes intervenientes do sector, reforçando o compromisso conjunto com a segurança hídrica, a redução do risco de desastres e a construção de comunidades mais resilientes.





